
Porto Velho, RO — A mídia institucional da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), referente a novembro de 2025, voltou ao centro do debate após a divulgação de valores destinados a sites recém-criados, ligados ao grupo da imprensa conhecido como “Nova Geração”. Ao mesmo tempo, veículos tradicionais do estado relatam cortes severos, que variaram de 80% a 100% nos repasses.
O plano de mídia do período foi assinado por Rogério Gago da Silva e executado pela agência PEN6, responsável pela operacionalização das campanhas. A mudança no perfil dos beneficiários reacendeu questionamentos sobre critérios técnicos, isonomia, transparência e, agora, também sobre conflitos de interesse.
Sites que receberam mídia em novembro de 2025 (exemplos divulgados)
Capital Rondônia — R$ 7.995,20
Notícias Porto Velho — R$ 10.001,60
EstadoRondonia.com — R$ 7.995,20
Portal de Rondônia — R$ 12.008,00
JH Notícias — R$ 14.987,20
Eu Ideal — R$ 10.001,60
Em Rondônia — R$ 7.995,20
(Valores referentes à veiculação institucional no mês.)
JORNALISTA RUBENS COUTINHO DO SITE TUDO RONDÔNIA
Novo ponto do debate: cargos comissionados (CDS)
Além da concentração de mídia em sites novos, relatos de bastidores apontam que o grupo “Nova Geração” ocuparia mais de 40 cargos comissionados (CDS) em órgãos governamentais. A informação, que ainda está sob apuração, elevou o tom das críticas, por potencial sobreposição entre comunicação pública e estruturas administrativas, o que exigiria critérios claros de segregação e compliance.
Especialistas ouvidos defendem que, se confirmada, a presença expressiva de CDS ligados a um mesmo grupo deve ser escrutinada para afastar favorecimento indevido e garantir a impessoalidade na distribuição da publicidade oficial.
Efeito dominó na comunicação pública
Profissionais do setor afirmam que a ascensão do novo grupo não se restringe à ALE-RO, alcançando campanhas do Governo de Rondônia, da Prefeitura de Porto Velho e do DETRAN/RO. O resultado prático seria um rearranjo de influência com impacto direto na pluralidade de vozes.
Investigação em curso
Diante das reclamações formais, o caso já é analisado pelo Ministério Público de Rondônia, que apura se a distribuição observou os princípios constitucionais da publicidade, impessoalidade, moralidade e eficiência. A expectativa do setor é que a apuração esclareça critérios objetivos, métricas de audiência, justificativas técnicas para cortes e eventuais vínculos administrativos.
O que dizem os críticos
Representantes de veículos tradicionais defendem que histórico editorial, alcance comprovado, regularidade fiscal e métricas auditáveis sejam parâmetros centrais. “Não se trata de barrar novos projetos, mas de assegurar igualdade de condições e transparência”, resume um editor do interior.
Por que isso importa
A mídia institucional é instrumento público para informar a sociedade. Quando concentra recursos ou altera drasticamente o mapa de veiculação sem critérios claros — sobretudo diante de indícios de ocupação ampla de cargos comissionados por um mesmo grupo — cresce o risco de enfraquecer o pluralismo e a confiança na comunicação oficial.
Em síntese: a veiculação de novembro de 2025 expôs uma virada no tabuleiro da mídia pública em Rondônia. Com apuração em andamento, o desafio é restabelecer critérios transparentes, tratar antigos e novos veículos com isonomia e blindar a publicidade oficial de qualquer percepção de favorecimento.











