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STF tem maioria para condenar Bolsonaro por todos os crimes da trama golpista

STF tem maioria para condenar Bolsonaro por todos os crimes da trama golpista

Voto da ministra Cármen Lúcia reforça o entendimento de que os atos foram de violência institucional e comprovam a existência de organização criminosa liderada pelo ex-presidente


A ministra Cármen Lúcia no julgamento do golpe. Foto: Evaristo Sá/AFP

Porto Velho, RO - A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria, nesta quinta-feira 11, para condenar Jair Bolsonaro (PL) pelos cinco crimes da trama golpista. O voto decisivo foi da ministra Cármen Lúcia, que acompanhou o relator Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino, rejeitando os argumentos da defesa e rebatendo diretamente as teses apresentadas por Luiz Fux.

Com exceção de Alexandre Ramagem (PL-RJ), todos os outros seis réus – Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto – foram considerados culpados, conforme o voto de Cármen Lúcia, pelos crimes de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Ramagem teve suspensa, até o fim do mandato como deputado federal, a parte da ação relativa aos crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Essas duas acusações se referem aos eventos do 8 de Janeiro, quando o congressista já tinha sido diplomado.

Organização criminosa e crimes contra a democracia

Para a juíza, o crime de organização criminosa ficou claramente configurado, com violência institucional, física e política praticada contra integrantes do Poder Judiciário. “O panorama fático está demonstrado, está comprovada a violência e a grave ameaça.”

Cármen Lúcia destacou que os atos não podem ser unificados em apenas um crime contra a democracia, como sugeriu Fux, e defendeu a responsabilização pelos diferentes delitos. Seguindo o relator, ela considerou que o golpe de Estado não absorve a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. “A doutrina nos leva a essa compreensão”, disse.

A ministra lembrou que os planos para um golpe foram idealizados, como o “Punhal Verde e Amarelo” e o “Copa 2022”, que previam a “neutralização” de Alexandre de Moraes com o uso de arma de fogo. Esses elementos, segundo ela, demonstram cabalmente ações de grupo, violência e coação sob liderança de Bolsonaro.

Mauro Cid

Sobre Mauro Cid, Cármen Lúcia rechaçou a tese de que ele teria sido mero espectador. Para ela, ficou comprovada sua participação ativa, tanto no recebimento e no encaminhamento de documentos quanto no estímulo aos demais envolvidos. “Atuou não como mero espectador e sim como autor de atos criminosos”, afirmou, validando a delação premiada firmada pelo ex-ajudante de ordens.

“Pra mim, há prova da presença de conluio entre essas pessoas, no sentido de uma organização que se integra, com a liderança do Jair Messias Bolsonaro”, declarou a ministra.

Fonte: Carta Capital
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