Lei estadual reconhece Festa do Divino no Vale do Guaporé como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de Rondônia


Porto Velho, RO - Com a finalidade de enaltecer o valor histórico, cultural e social do principal ritual festivo rondoniense, o Governo de Rondônia sancionou a Lei n° 5.252, de 11 de janeiro de 2022, que reconhece a Festa do Divino Espírito Santo no Vale do Guaporé como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado.

Por meio da Lei de Reconhecimento, o Poder Executivo auxilia uma região com enorme potencial turístico, podendo, fomentar a economia das comunidades locais, gerando renda para as populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas, entre outras localizadas às margens do rio Guaporé que, com a produção artesanal, podem ter um acréscimo significativo nas rendas durante os dias de festejos.

“Ficamos muito felizes quando o governador sancionou a lei, pois a partir de agora, há a legalidade para o Estado aplicar recursos e fomentar ainda mais esse grande evento na cultura e no turismo. Para gente é importante demais e principalmente para aquelas pessoas que fazem a Festa do Divino Espírito Santo acontecer”, destacou o gestor da Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel), Jobson Bandeira dos Santos.

Existente há mais de 125 anos, o evento religioso em forma de romaria fluvial não foi realizado nos anos de 2020 e 2021, em razão da pandemia da covid-19. As comunidades organizadoras pretendem realizar o evento em março deste, mas vai depender das condições impostas para prevenção ao coronavírus, por meio dos decretos municipal e estadual.

A celebração da Festa do Divino Espírito cumpre rigorosamente um percurso de 50 dias consecutivos às margens do rio Guaporé, partindo de Guajará-Mirim até Pimenteiras. Neste percurso a romaria recebe a participação de mais de 40 mil pessoas.

Realizada e organizada por devotos afro-brasileiros e bolivianos, o evento acontece simultaneamente nos dois países e apresenta a singularidade de ser a maior expressão da cultura e religiosidade popular de Rondônia.

Para o técnico encarregado pelos assuntos referentes ao Patrimônio Histórico e Cultural da Sejucel, Alécio Valois, ações como esta solidificam o respeito e empenho do Executivo Estadual com a Festa do Divino Espírito Santo.

“O governador Marcos Rocha demonstra mais uma vez está atento às comunidades mais carentes do Estado e vem contribuindo com ações que visem a construção de uma sociedade justa e tolerante. Assim foi com o evento ‘Tributo a Tereza de Benguela’ em que condecorou 15 mulheres negras de destaque na sociedade rondoniense e assim foi com a Lei que instituiu a ‘Campanha Permanente de Combate ao Racismo nas escolas’ e a criação do selo Rondônia ‘Sem Racismo’. Ações como essas solidificam o respeito e empenho do Executivo Estadual com as tradições rondonienses”, destaca o técnico encarregado pelos assuntos referentes ao Patrimônio Histórico e Cultural da Sejucel, Alécio Valois.

ORIGEM

A origem da Festa do Divino Espírito Santo está em Portugal e remonta ao século XIV quando os portugueses celebravam a terceira pessoa da trindade. Nessas celebrações, ofertavam-se banquetes coletivos às pessoas carentes. Além de muita comida, também davam esmolas. Celebrações que ainda ocorrem em algumas regiões de Portugal.

Com a colonização do Brasil, os portugueses trouxeram a tradição dos festejos religiosos, sendo ainda hoje muito forte em cidades como Mogi das Cruzes (SP), Paraty (RJ) e em Rondônia. Sendo que no Estado, além de ser a única que acontece em rios, é a única que envolve dois países, o Brasil e a Bolívia.

CONTEXTO HISTÓRICO

Alécio Valois, explica que a Celebração ao Divino Espírito Santo acontece há 126 anos em terras rondonienses. “A Festa do Divino Espírito Santo de Rondônia é conhecida como única Romaria aquática e percorre mais de 1360 quilômetros do rio Guaporé e seus afluentes (rio Paraguai, rio São Miguel, rio Branco), durante 50 dias, tanto nas margens direita quanto na esquerda, onde estão localizadas aldeias indígenas e comunidades bolivianas; visita 39 cidades sendo oito bolivianas e 31 brasileiras”, detalha.

Para Valois, que também é doutor em Ciências Políticas, as pessoas de ambos os países se percebem como comunidade, e esse processo de construção não é geopolítico, e sim fruto de um constructo cultural, ou seja, uma dimensão que vai para além da ideia de nacionalidade, bandeiras ou fronteiras, pois, para os devotos, o que parece importar são as relações de sociabilidades que foram sendo construídas ao longo do tempo, nas fronteiras dos dois países pelo evento religioso.

Ele comenta ainda que manifestações como a Festa do Divino Espírito Santo no Vale do Guaporé, por se constituírem em importante foco de permanência da história e da cultura legitimamente nacional tanto do ponto de vista do Brasil quanto do ponto de vista da Bolívia, simbolizando a união entre os povos boliviano e brasileiro, garantindo laços de irmandade e assegurando a paz na fronteira entre as duas nações.


Texto: Jeferson Almeida
Fotos: Ésio Mendes
Secom - Governo de Rondônia
Lei estadual reconhece Festa do Divino no Vale do Guaporé como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de Rondônia Lei estadual reconhece Festa do Divino no Vale do Guaporé como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de Rondônia Reviewed by REDAÇÃO on janeiro 19, 2022 Rating: 5

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